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Jovens professores do IFGW são diplomados como membros da Academia Brasileira de Ciências

Os professores Gustavo Silva Wiederhecker e Thiago Mayer Alegre, ambos do Departamento de Física Aplicada do IFGW, foram diplomados como Novos Membros Afiliados da Regional São Paulo da Academia Brasileira de Ciências (ABC). A cerimônia foi realizada no dia 14 de março em São Paulo, no Auditório István Jancsó – Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Universidade de São Paulo.

Neste ano foram eleitos seis jovens cientistas de excelência e com idade inferior a quarenta anos para compor os quadros da ABC durante cinco anos (2019 – 2023).

Tanto Gustavo quanto Thiago tiveram sua formação de graduação – foram colegas de turma -  e de pós-graduação no IFGW. Ambos concordam que a excelência em ensino, pesquisa e extensão do IFGW fez toda a diferença em suas carreiras científicas.

Gustavo conta que no seu primeiro dia como calouro na Unicamp conheceu o aluno Andrés Rieznick, um argentino que cursava bacharelado em física e de quem se tornou um grande amigo. “Ele já estava no quarto ano e fazia iniciação científica com o Prof. Hugo Fragnito, no Laboratório de Comunicações Ópticas do Departamento de Eletrônica Quântica do IFGW. Em 2001, eu decidi começar a iniciação científica no mesmo laboratório e também sob orientação do Prof. Fragnito. Eu estava no terceiro semestre da graduação”, relembra Gustavo.  

Na pós-graduação Gustavo optou por continuar o trabalho com o Prof. Fragnito e como manteve a área de pesquisa da iniciação, conseguiu uma bolsa de doutorado direto. “No período de 2003-2008, interagi muito com os colegas de laboratório e considero que eles foram fundamentais para minha formação”. Gustavo conta que suas discussões com o Prof. Fragnito eram sempre muito densas e foram de grande valor para a sua carreira. “Também devo reconhecer a importância de ter me aproximado do Prof. Hugo Hernandez-Figueroa da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC). Ele me ensinou bastante sobre métodos numéricos em inúmeras visitas a sua sala para discutir eletromagnetismo computacional”, complementa Gustavo.

Durante o doutoramento Gustavo passou um mês na Universidade de Bath, na Inglaterra, sob orientação do Prof. Jonathan Knight e depois trabalhou mais oito meses no grupo do Prof. Philip Russell, no Max Planck Institute for the Science of Light, em Erlangen, Alemanha.  “Estes períodos, apesar de curtos, foram extremamente produtivos e certamente me abriram as portas para a ciência global. Conheci esses professores estrangeiros no Brasil, em evento organizado pelo capítulo de estudantes da OSA (Optical Society of America) na Unicamp, do qual era membro”, destaca o professor. 

Nos dias atuais Gustavo se dedica às pesquisas em nanofotônica – ciência que visa compreender e dominar a propagação da luz na escala nanométrica, cerca de mil vezes menor que diâmetro de um fio de cabelo. Nestas dimensões, o comprimento de onda da luz é comparável ao tamanho da estrutura que a confina. Uma consequência importante de se aprisionar a luz em um espaço tão pequeno é que o campo eletromagnético associado à luz pode se tornar extremamente intenso. Esta alta intensidade modifica a maneira como a luz interage com a matéria, “É como tentar entender o movimento de uma canoa em mar tempestuoso”, explica Gustavo. A importância tecnológica desta área é evidente porque com o avanço dos computadores, tablets e celulares se torna cada vez mais necessário entender a integração da luz nos chips eletrônicos. “O desenvolvimento e maturidade destas tecnologias dependem do entendimento fundamental que buscamos na nossa pesquisa em nanofotônica”, observa Gustavo.

Thiago conta que durante a graduação ele teve aulas com o Prof Marco Aurélio Pinheiro Lima que foi sempre um incentivador para que seguisse na carreira científica. Em 2003 começou sua iniciação científica sob orientação do Prof. Fragnito. Estudava os amplificadores ópticos naquela época. “No laboratório do Prof. Fragnito eu pude apreciar o ambiente de pesquisa acadêmica e decidi seguir a carreira de pesquisas justamente nessa época ao perceber que, apesar do final próximo da graduação, eu ainda tinha muito mais a aprender”, comenta Thiago.

Ao final da graduação, Thiago decidiu mudar o assunto de suas pesquisas e começou seu doutorado sob orientação do Prof. Gilberto Medeiros. As pesquisas eram sobre os estados eletrônicos em pontos quânticos auto-formados e sua interação com cavidades de micro-ondas. “Meu objetivo inicial era manipular os estados eletrônicos de spin confinados nos pontos quânticos usando micro-ondas. Acabei me envolvendo no maravilhoso, e às vezes doloroso, mundo das técnicas de micro-fabricação que desde então norteiam minha carreira científica”, relembra Thiago.

Ainda durante o doutorado Thiago trabalhou com Charles Santori no laboratório de pesquisas da empresa Hewlett-Packard (HP-Labs/Palo Alto) na Califórnia, Estados Unidos. Tratava-se de um experimento onde conseguiram manipular e ler o estado de spin de um único defeito do tipo vacância de nitrogênio embutido numa rede cristalina de diamante. “Depois dessa experiência me convenci de que era preciso um canal óptico para ler os estados de spin dos pontos quânticos”, explica.  Na ocasião ele teve a oportunidade de trabalhar durante alguns meses com Prof. Jeremy Levy na Universidade de Pittsburg tentando excitar, eletronicamente, e medir, via emissão óptica, estados eletrônicos de pontos quânticos.

Atualmente Thiago se dedica aos estudos da interação não linear em sistemas

fotônicos. A aplicação direta desses estudos está na criação de sistemas integrados de luz que poderão ser implantados junto aos sistemas eletrônicos. Essa integração poderá complementar os sistemas eletrônicos no processamento e transporte de dados. Além disso, o entendimento profundo da interação da luz com a matéria poderá ser útil na criação de refletores e displays plasmônicos que são também parte de sua pesquisa.

 

Para Gustavo fazer parte da Academia Brasileira de Ciências é uma grande honra. Entende ser um reconhecimento dos pares pelo trabalho que vem realizando “E é também uma cobrança: a ciência brasileira ainda enfrenta diversos desafios, desde sua divulgação e reconhecimento pela nossa sociedade – que padece de educação de qualidade – até a luta por financiamento e desburocratização dos processos”, comenta Gustavo. Em sua opinião, um dos principais obstáculos para o progresso científico nacional atualmente é a escassez de jovens buscando a ciência. “Não estou sugerindo que sigam a carreira acadêmica. A qualificação em âmbito de pós-graduação é uma rota natural quando se direciona a economia para produção de tecnologia de alto valor agregado. Vejo que o programa de desenvolvimento científico deve ocorrer em paralelo à indústria de alta tecnologia”, explica Gustavo. Pensa ser necessário estimular a formação qualificada, oferecendo bolsas compatíveis com o custo de vida, e também desimpedir e estimular empresas de pequeno e médio porte que estejam dispostas a absorver e utilizar o conhecimento adquirido.

Para Thiago a honraria em ser afiliado da ABC vem por conta de toda história da ABC. “A participação e o reconhecimento, mesmo que temporário pela Academia, mostra que estou no caminho certo”. Disse que durante sua estada como membro afiliado espera poder contribuir na divulgação das ciências e do pensamento cientifico ao grande público. “Trata-se de um tema tão importante quanto a própria ciência nos dias de hoje”, finaliza Thiago.

 

O IFGW parabeniza os professores Gustavo e Thiago desejando ainda mais sucesso em suas carreiras profissionais.

 

Leia mais em: http://www.abc.org.br/2019/03/16/simposio-e-diplomacao-dos-membros-afiliados-da-abc-regional-sao-paulo-2019-2023

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