Estudar fora do Brasil: sonho de muitos, realização dos que se informam a respeito

Todos os anos vários alunos do IFGW – de graduação e de pós - passam por processos seletivos e são contemplados com bolsas de estudos para realizarem algum tipo de curso, escola ou estágio no exterior. Na foto da reportagem estão quase todos os alunos que partirão ainda nesse ano. A animação é grande. Imenso também é o desafio com a perspectiva de aperfeiçoamento nos estudos e de imersão em outras culturas. França, Itália, Espanha e Estados Unidos são os países que receberão os estudantes dessa vez.

Desde janeiro desse ano o IFGW é um dos Institutos Federados do ICTP - The Abdus Salam International Centre for Theoretical Physics. Localizado em Trieste, Itália, o Centro oferece anualmente escolas, cursos e workshops de alto nível e que abrangem diversas áreas em Física teórica e experimental. “Em janeiro o ICTP divulga o calendário de atividades científicas que irão ocorrer no decorrer do ano. Então a Pós-Graduação do IFGW faz uma chamada para os alunos de doutorado que estejam interessados em participar de alguma atividade deles. A escolha tem que estar diretamente relacionada com a área de pesquisa do aluno. Depois de recebermos os pedidos, fazemos uma análise de mérito e indicamos os três selecionados para o ICTP, que faz a análise final. Este ano tivemos somente cinco inscritos. Penso que nos próximos anos a procura deve ser maior, à medida que nossos alunos fiquem mais cientes desta oportunidade”, explica a Prof. Arlene Aguilar, coordenadora do convênio no IFGW. O ICTP também permite a submissão direta dos pedidos, sem passar pelo convênio. A única diferença é que com o convênio, os pedidos terão maior chance de serem aceitos. O Centro oferece a estadia e alimentação, enquanto que a pós-graduação ajuda nos custos da passagem aérea para os alunos que não possuem taxas de bancada em suas bolsas.

Gabriel Gaál, Carlos Enrique Alvarez Salazar e Leonardo da Silva Garcia Leite foram os selecionados nesse ano. Eles participarão de escolas de verão no ICTP. Gabriel e Carlos viajam ainda em junho e Leonardo vai em agosto. “As escolas do ICTP são reconhecidas no mundo todo, então acredito que eles devem ter muitas solicitações. Eu penso que o fato do IFGW conseguir estabelecer esse convênio é importantíssimo para a nossa capacitação e experiência internacional”, comenta Carlos.

Gabriel também se inscreveu e foi selecionado em um outro processo por conta da parceria entre a Sociedade Brasileira de Física e American Physics Society que concede bolsas de estudos de curta duração para alunos e professores a fim de fazerem pesquisas, cursos ou participarem de seminários com duração uma ou duas semanas em universidades americanas, conduzidos por cientistas brasileiros. Em agosto ele vai trabalhar em um laboratório durante um mês na Universidade do Texas, em Dallas, na sua área de pesquisas – filmes finos poliméricos - e receberá recursos para pagamento de passagem e estadia.

Mariana Zavarize Nica, Aldeliane Maria da Silva e Rafael Cintra Hensel Ferreira, alunos de doutorado, foram selecionados para participarem da Escola Europeia de Nanociência & Nanotecnologia, no Grenoble INP, França. Essa escola ocorre há vários anos, dura 3 semanas e é muito tradicional na área. Os alunos ganharam o desconto de dois mil euros - que é a inscrição na escola – acrescidos de hospedagem, almoço e café da manhã. “Pagaremos as nossas passagens, seguros etc com recursos das nossas taxas de bancada e, se não forem suficientes, a pós-graduação deverá ajudar também”, conta Mariana. Os alunos ficaram sabendo da escola através de um email que receberam da própria escola. “O IFGW sempre manda alunos para essa escola e eles já conhecem o pessoal da Unicamp e sempre nos chamam”, esclarece Mariana.

A aluna Marina Reggiani Guzzo, do segundo ano de mestrado, foi selecionada para participar de dois cursos esse ano: um curso de verão no CERN - Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire, localizado em Genebra, Suíça e uma estadia de seis meses no Fermilab na cidade de Batavia, Estados Unidos. Marina trabalha com experimentos na área de Física de Partículas e conta sempre fica sabendo dessas oportunidades por meio das listas de e-mails do DRCC. “O CERN ainda não divulgou quem serão os participantes e nem as informações de concorrência, porém sabemos que é bastante concorrido. O processo incluiu análise de currículo e duas cartas de recomendação. O curso começa em 25 de junho e vai até 18 de agosto. Receberei diárias e recursos para a passagem aérea”, conta Marina. Para o programa Neutrino Program Center, do Fermilab, Marina se inscreveu e conseguiu o tempo máximo de estadia prevista no edital. “Esse programa está sempre aberto, é muito fácil de se inscrever e o financiamento é todo por conta deles – menos as despesas de Visto americano e de seguro saúde. É muito importante que outros alunos se interessem e conheçam essas oportunidades”, finaliza Marina.

Existe também a possibilidade de se requisitar bolsas para as agências de fomento à pesquisa para realizar estudos fora do país durante o doutorado. “No projeto de solicitação de bolsa de doutorado o aluno descreve a necessidade de realizar parte dos seus estudos fora do país, em alguma universidade que tenha colaboração com o seu trabalho – o chamado doutorado sanduiche. Quando chega o momento de realizar a viagem basta submeter um projeto de pesquisa e o trâmite é facilitado. No meu caso demorou pouco menos de três semanas”, comemora Clara Figueiredo, aluna de doutorado, que vai estudar durante um ano em Valencia na Espanha com bolsa de estágio e pesquisa no exterior da Fapesp. Antônio Maurício Narciso Ferreira, aluno de doutorado, também vai para Valencia com bolsa de doutorado sanduiche da Capes. Existiu um processo interno de seleção na pós-graduação e Antônio passou. Ele esclarece que o julgamento dos pedidos na Capes demora muito tempo. “É bom contar com isso para não perder prazos. Eu me inscrevi em janeiro, sei que o processo está em andamento, mas ainda não recebi a confirmação, apesar de ser uma bolsa garantida para o IFGW”, finaliza Antônio.

Vitor Barroso Silveira está no segundo ano de mestrado e viaja com bolsa Fapesp por quatro meses para os Estados Unidos. Se encontrará com o seu orientador na Universidade de Chicago, onde está realizando um estágio como professor visitante. “Minha pesquisa é em física de buracos negros. Vou ter a oportunidade de trabalhar por quatro meses com pessoas que são referências na minha área”, esclarece Vitor.

Para alunos de graduação existem muitas oportunidades. A Diretoria Executiva de Relações Internacionais – DERI – lança vários editais todos os anos para seleção de alunos de graduação que desejam realizar intercâmbio fora do país. Neste ano quatro alunos da Engenharia Física do IFGW vão para a França por dois anos para realizar o que lá eles definem como Master Course (mestrado) e aqui definimos como dupla diplomação. Gabriel Teixeira Callado, Jaqueline de Oliveira Rocha, Kaleb Roncati de Souza e Tiago da Silva Delfino se inscreveram através de um edital da DERI para as engenharias e conseguiram as vagas. No segundo semestre todos vão para Paris estudar em faculdades associadas à Paristech “O processo seletivo foi extenso. Contou com análise de curriculum, uma prova e entrevista aplicadas em outro idioma e pelo staff francês. Todas as etapas eram eliminatórias. De mais de cinquenta inscritos apenas nove seguirão para a França, dentre os quais nós quatro aqui do IFGW”, observa Kaleb. Jaqueline explica que depois eles poderão entrar diretamente no doutorado em qualquer país da Europa, o que pensa ser uma vantagem. Kaleb e Gabriel ganharam bolsa da própria Paristech, Tiago ganhou bolsa do governo francês e Jaqueline vai com bolsa da Capes. “Para aqueles que pretendem fazer intercâmbio com recursos da Capes é bom ficar ciente que é exigido nível B2 de proficiência na língua do país destino. Eu me dediquei por alguns meses e consegui”, comemora a estudante. Os quatro alunos farão curso intensivo de Francês antes do início das aulas e eles esperam conseguir aumentar o seu nível de fluência no idioma. “Eles já enviaram materiais para estudarmos: matemática, física e outras disciplinas, tudo em francês”, esclarece Kaleb. “Uma boa dica para o processo seletivo da Paristech é ficar atento aos prazos de inscrição na DERI, no site da Paristech. Prazos da prova e da entrevista. O processo é composto de várias etapas e é muito fácil perder alguma delas. Além disso, existem outras escolas francesas que fazem programas de dupla diplomação, como as Centrales, a Ensicaen. Vale ficar atento a todas as oportunidades”, finaliza Jaqueline.

Os estudantes selecionados para esse ano são unânimes em afirmar que todos os alunos devem procurar oportunidades assim, que existem inúmeros convênios entre a Unicamp/IFGW e universidades/centros de pesquisa no exterior e que basta se ter vontade e ir em busca das informações. “Cursos e eventos internacionais são sempre organizados por pesquisadores que são referência nas áreas nas quais pesquisam, os professores dos cursos são os autores dos artigos que lemos para aprender sobre teorias e técnicas. É uma maneira incrível de se aprofundar e conversar com esses profissionais”, comenta Leonardo. Vitor acrescenta que a SISSA – Scuola Internazionale Superiori di Studi Avanzati, de Trieste, Itália, permite que estudantes estrangeiros participem de seu processo seletivo para doutorado e depois aceita os selecionados como bolsistas. “Eles pagaram a minha estadia para conhecer a Scuola, participar do processo seletivo e conversar com professores. Infelizmente eu não consegui a vaga porque a concorrência é muito grande, mas foi uma experiência incrível pelo custo de uma passagem aérea”, observa Vitor. Outro ponto importante é prestar a atenção quais são os requisitos de idioma na universidade destino. “Vale a pena pesquisar se as aulas serão em inglês ou no idioma local, porque se forem em inglês a universidade pode enviar uma carta e então muda o requisito de idioma em bolsas como as da Capes”, lembra Clara. Jaqueline comenta que no processo da Paristech a carta de motivação é um quesito muito importante e ela pensa que deve ser assim nos outros processos também. Comenta ainda que para se conseguir a bolsa do governo francês é muito importante ter um CR – coeficiente de rendimento para os alunos de graduação – elevado porque a bolsa é de excelência.

No aspecto cultural todos concordam que terão ganhos. Que vão valorizar a nossa cultura no retorno e que os estudantes brasileiros são muito valorizados pelo seu modo de pesquisar. “Somos estudantes do tipo faz tudo. Fazemos os cálculos, montamos os experimentos, tiramos as medidas, consertamos e fazemos nossos equipamentos. No exterior eles não são assim, cada um cuida de uma parte e acabam não tendo a visão do todo”, explica Mariana. Kaleb comenta que melhorar ou se tornar proficiente em um outro idioma é um outro ganho extremamente valioso para a carreira de todos os alunos.

A todos os que viajam nesse ano desejamos Auguri, Good luck, Buena Suerte e Bonne Chance!

A Diretoria IFGW, através de suas coordenadorias de Graduação e Pós, se coloca à disposição de todos os alunos interessados, com apoio financeiro à medida das necessidades dos alunos e da disponibilidade de recursos.

Alunos em frente ao IFGW

Saiba mais em:

https://www.ictp.it/
http://www.grenoble-inp.fr/summer-schools/summer-school-nanotechnology-923484.kjsp
https://home.cern/students-educators/summer-student-programme
http://www.internationaloffice.unicamp.br/
https://www.sissa.it/
http://studywithus.paristech.fr/en/brazil-admission-programme
http://www.paristech.fr/en/paristech-grandes-ecoles/institut-d%E2%80%99optique-graduate-school
https://www.institutoptique.fr/en